Cedo durmo às sombras da incerteza
e te cedo as razões mesmo que falhas;
fácil farto-me com abundantes migalhas
conformado alimento tua vil avareza.
O teu amor sintetiza-se em pobreza
e te pago em moedas de mesma igualha;
o futuro é como agulha entre palhas
e o passado, águas cheias de impurezas.
É a carne que se rende à fraqueza,
n'alma nasce remorso que se espalha
em amargos sentimentos de tristeza.
Que me vale travar essa vã batalha
se a história sucumbirá à frieza,
pras lembranças num álbum de farfalhas?

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