domingo, 23 de abril de 2017

Cálice

Adentreis profundo em abertos cortes,
onde à míngua reside minha essência.
Aos poucos minam minha consciência
e incertezas vagueiam sem um norte.

É tempo em que o corpo vai à falência,
com a evidência de um divino suporte.
Sei que a vida não se finda na morte,
que morrer é não viver na turbulência.

Calo-me, pois minha hora é chegada.
Fim da estrada, o meu dia chegou...
Minha existência já está consumada...

O meu tempo tarda.... Oh, quão grande dor!
É o vinagre que a minha alma traga
às vísceras, um cálice, cheio de amargor.

Nenhum comentário:

Postar um comentário